Perceber a origem da dor é o primeiro passo do tratamento.
Saber a origem da dor nas costas é compreender o que a desencadeia e o que a mantém — e nem sempre é uma lesão estrutural. Quando se percebe que a dor pode persistir por alterações do sistema nervoso, e não por um dano que está a piorar, o medo diminui, a adesão ao tratamento melhora e reduz-se o risco de recaídas. Aliada a exercício adequado, esta compreensão costuma baixar a própria perceção de dor e a incapacidade.
O que significa saber a origem da dor nas costas?
Quem me procura em Aveiro com dor nas costas traz quase sempre a mesma pergunta por responder: "afinal, o que é que eu tenho?". Muitas vezes já fez exames e já ouviu nomes — hérnia, desgaste, protrusão —, mas raramente alguém parou para lhe explicar, com calma e em linguagem simples, de onde vem a dor e o que a mantém. Saber a origem da dor não é apontar para uma sombra num raio-x. É compreender a história toda: o que aconteceu, porque é que o corpo reagiu daquela maneira e o que está, hoje, a alimentar o problema.
No meu trabalho, esta é sempre a primeira etapa. Antes de qualquer exercício ou técnica, dedico tempo a mostrar ao paciente como funciona a sua dor. Faço-o porque a compreensão muda a forma como a pessoa se relaciona com o corpo — e essa mudança, por si só, já é terapêutica. Um paciente que entende o que se passa deixa de ter medo de cada movimento e passa a ter um papel ativo na recuperação, em vez de esperar passivamente por uma solução vinda de fora.
A dor nas costas é sempre sinal de lesão?
Esta é talvez a crença mais difícil de desfazer, e também a mais importante. A ideia de que "dói porque há algo partido" está tão enraizada que muitas pessoas vivem com receio de se mexer, convencidas de que qualquer esforço vai agravar uma lesão. A ciência, porém, mostra um quadro mais tranquilizador. É frequente encontrar hérnias, protrusões e sinais de desgaste em exames de pessoas que não sentem qualquer dor. Ou seja, a imagem nem sempre explica o sintoma.
Acontece também o contrário: a dor pode manter-se mesmo depois de os tecidos terem cicatrizado. Isto deve-se a alterações nos mecanismos do sistema nervoso, que se pode tornar mais sensível e continuar a "soar o alarme" mesmo quando já não há perigo real. Compreender este ponto liberta a pessoa de um medo desnecessário. Não significa que a dor "é psicológica" ou "está na cabeça" — é bem real —, mas sim que nem sempre corresponde a um dano que está a piorar.
Porque é que conhecer a origem da dor ajuda a tratá-la?
Quando explico a origem da dor, o objetivo não é só informar: é reduzir o medo e devolver controlo. E isto tem reflexo direto nos resultados. Estudos clínicos com pessoas com dor lombar crónica têm mostrado que combinar a educação sobre a dor com exercício adequado reduz a intensidade da dor e a incapacidade, diminui a catastrofização — aquela espiral de pensamentos do tipo "isto nunca mais passa" — e o medo do movimento, e melhora a autoeficácia, ou seja, a confiança da pessoa na sua própria capacidade de gerir o problema.
Faz sentido quando paramos para pensar. Alguém que acredita ter as costas "destruídas" move-se menos, tensiona-se mais e evita atividades — e tudo isto tende a perpetuar a dor. A mesma pessoa, depois de perceber que o movimento é seguro e até necessário, recupera a confiança e regressa gradualmente à sua vida. A compreensão não substitui o tratamento, mas torna-o muito mais eficaz.
Como se explica a origem da dor, na prática?
No meu método de Saúde Integrativa, esta explicação acontece em três passos que se complementam.
Primeiro, uma explicação clara. Uso palavras simples e exemplos do dia a dia para mostrar como o sistema nervoso responde ao stress e à carga, e como pequenas mudanças nas atividades diárias aliviam a pressão sobre a coluna.
Segundo, a demonstração. Recorro a imagens e a modelos para ilustrar conceitos que, só por palavras, seriam abstratos — por exemplo, como certos músculos sustentam a coluna e porque vale a pena fortalecê-los.
Terceiro, exercício personalizado. A educação ganha corpo quando se traduz em movimento. Proponho exercícios específicos, adaptados a cada pessoa, para reequilibrar a musculatura e devolver liberdade de movimento, sempre com progressão e regularidade. Tudo isto se integra com os outros pilares do trabalho que faço — gestão emocional, alimentação e estilo de vida —, porque a dor raramente tem uma causa única.
O que muda quando o paciente percebe a origem da sua dor?
Os ganhos vão muito além do alívio imediato. O primeiro é a redução do medo: quem compreende a sua dor encara-a com mais serenidade e fica mais disponível para se mover e recuperar. O segundo é a melhor adesão ao tratamento — quando a pessoa percebe porque está a fazer determinado exercício, cumpre-o com mais consistência. O terceiro é a prevenção de recaídas: a educação não trata apenas o episódio atual, ensina estratégias para evitar os próximos.
E há um detalhe importante. Alguns estudos mostram que estes benefícios se mantêm meses após a intervenção, o que sugere uma mudança duradoura, e não um alívio passageiro. É essa transformação de fundo — na forma de pensar, de se mover e de cuidar de si — que procuro com cada paciente.
Como foi isto na prática, no caso do João?
Recordo o João, técnico de informática, 35 anos. Passava muitas horas sentado e começou a sentir dor nas costas que o preocupava cada vez mais. Quando chegou até mim, o que mais o aliviou não foi um exercício em particular, mas a explicação: perceber como a falta de movimento e a sobrecarga postural ao longo do dia tinham contribuído para a sua dor.
A partir daí, aprendeu alguns exercícios simples para fazer nas pausas do trabalho e, ao fim de algumas semanas, começou a notar melhorias. O caso do João resume bem o que defendo: a combinação de compreensão e movimento faz, muitas vezes, toda a diferença no tratamento da dor nas costas.
Por onde começar, se tem dor nas costas em Aveiro?
Se está a viver com dor nas costas, o passo mais útil que pode dar é deixar de procurar um culpado único numa imagem e começar a perceber a sua história — como a dor surgiu, o que a agrava e o que a alivia. É esse o ponto de partida do trabalho que faço em Aveiro: uma avaliação individual que olha para a pessoa como um todo, e não apenas para a coluna.
Importa deixar claro que cada caso é único e que este texto não substitui uma avaliação clínica individual. Mas a mensagem de fundo aplica-se a quase toda a gente: compreender a origem da sua dor é, muitas vezes, o primeiro passo — e um dos mais poderosos — para a ultrapassar.
Perguntas frequentes
Saber a origem da dor substitui os exercícios ou o tratamento?
Não. A compreensão da dor não substitui o tratamento — torna-o mais eficaz. Funciona melhor quando combinada com exercício adequado e acompanhamento individual.
Os exames de imagem mostram sempre a causa da dor nas costas?
Nem sempre. É frequente encontrar hérnias ou sinais de desgaste em pessoas sem qualquer dor, e a dor pode persistir mesmo com exames pouco alterados. A imagem é uma peça, não a resposta completa.
Devo fazer repouso quando tenho dor nas costas?
Na maioria dos casos, o repouso prolongado não ajuda e pode até atrasar a recuperação. O movimento adequado e progressivo costuma ser parte da solução, não do problema.
Quanto tempo demora a notar melhorias?
Varia de pessoa para pessoa. Muitos pacientes começam a sentir diferenças ao fim de algumas semanas quando combinam a compreensão da dor com exercício regular, mas cada caso é avaliado individualmente.
Referências
- Sidiq M, Muzaffar T, Janakiraman B, et al. Effects of pain education on disability, pain, quality of life, and self-efficacy in chronic low back pain: A randomized controlled trial. PLoS One. 2024;19(5):e0294302.
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- Kasimis K, Apostolou T, Kallistratos I, Lytras D, Iakovidis P. Effects of Manual Therapy Plus Pain Neuroscience Education with Integrated Motivational Interviewing in Individuals with Chronic Non-Specific Low Back Pain: A Randomized Clinical Trial. Medicina (Kaunas). 2024;60(4):556.